
February 23, 2025
derik.martins@sisqualis.com.br
Hospital e empresas de tecnologia desenvolvem algoritmos que podem ajudar no diagnóstico e avaliação em tempo real de doença rara
Pessoas acima dos 60 anos, com problemas cardíacos já tratados e que de um momento a outro passam a sentir cansaço, falta de ar e percebem edemas nos pés quando ficam tempo sentados. Os sintomas são comuns, mas podem ser um indicativo para casos de amiloidose, uma doença rara que ataca coração, rins
Pessoas acima dos 60 anos, com problemas cardíacos já tratados e que de um momento a outro passam a sentir cansaço, falta de ar e percebem edemas nos pés quando ficam tempo sentados. Os sintomas são comuns, mas podem ser um indicativo para casos de amiloidose, uma doença rara que ataca coração, rins e sistema nervoso central.
A suspeita pode começar a partir da necessidade de colocação de novos stents no coração, por exemplo, para garantir o bom funcionamento do órgão. “É comum que muitos pacientes, mesmo após anos com estabilidade clínica, recebam exames demonstrando novos problemas na válvula aórtica obstruída, a chamada estenose aórtica”, relata o cardiologista chefe do serviço de Cardiologia do Hospital São Lucas, em Porto Alegre (RS), Paulo Caramori. “Neste momento, realizamos a troca da válvula obstruída, com um procedimento conhecido como TAVI com ótima resposta inicial. Entretanto, em casos mais raros, podem surgir sintomas como fadiga excessiva e após exames específicos confirma-se o diagnóstico de amiloidose, uma doença pouco comum, provocada por erro na formação de proteínas, que deixam de ser metabolizadas pelo organismo e se acumulam de forma permanente no órgão. Mas isso nem sempre acontece, porque a amiloidose é uma doença rara e muitas vezes o seu diagnóstico não é cogitado”, explica o médico.
O especialista coordena um projeto de inovação na instituição junto com as empresas de tecnologia 2iM e Sisqualis, para desenvolver algoritmos que buscam eventos e resultados clínicos na base de dados do hospital e, a partir dos resultados, alertam os médicos sobre hipótese de diagnóstico da amiloidose. Se confirmada, a doença passa a ser avaliada e monitorada em tempo real por um Sistema de Avaliação de Linhas de Cuidado, permitindo que toda a jornada assistencial seja feita de maneira mais rápida e assertiva.
O ponto central do projeto é alertar sobre casos em que a pessoa tem a doença, mas ela não é considerada por ser uma condição rara, o que leva a um atraso no diagnóstico. Outro ponto importante é mostrar que muitas vezes a amiloidose é decorrente de outras doenças, como doenças hematológicas ou inflamações crônicas, como a tuberculose de longa duração.
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